A passagem de turno num restaurante não deve ser apenas o momento em que uma equipa sai e outra entra.
Tem de existir passagem de informação.
Quem entra precisa de saber o que aconteceu antes, o que ficou pendente e que situações podem exigir atenção durante o novo turno.
Sem isso, cada equipa começa praticamente do zero.
Uma passagem de turno mal feita cria falhas desnecessárias
Num restaurante com turno da manhã e turno da tarde, há sempre informação que pode ser importante para quem entra.
Pode ter ocorrido um desafio com um equipamento.
Pode existir um produto quase a terminar.
Pode haver alguma situação com um cliente que mereça continuidade.
Ou pode simplesmente existir produto exposto que já precisa de ser verificado novamente.
Se nada disto for comunicado, o turno seguinte fica a descobrir os desafios à medida que eles aparecem.
Quem entra assume responsabilidade pelo novo turno
Uma frase como «isso foi o pessoal da manhã» não resolve nada.
A partir do momento em que alguém entra ao serviço, passa a ser responsável por aquilo que está a vender e pelo estado da sua área.
Mesmo que o erro tenha começado antes.
A equipa que entra deve confirmar se aquilo que vai disponibilizar ao cliente está realmente em condições.
Um rissol estragado explica o desafio
Hélder Santos conta no episódio uma situação que viveu numa casa bastante conhecida.
Parou durante uma viagem e pediu um rissol de camarão.
Quando o abriu, percebeu pelo cheiro que não estava em condições.
Ao falar com a funcionária, ouviu uma resposta semelhante a:
«Isso foi o turno da manhã. Eu entrei agora.»
O desafio não estava apenas no produto.
Estava também na ausência de responsabilidade sobre aquilo que estava exposto no início do novo turno.
Para o cliente, não existe turno da manhã ou turno da tarde.
Existe o restaurante.
O cliente não quer saber quem teve culpa
Quando um produto chega ao cliente em más condições, a explicação interna pouco interessa.
O cliente não precisa de saber quem colocou o produto na vitrine, quem estava antes ou quem se esqueceu de verificar.
Ele apenas sabe que aquela casa lhe vendeu algo que não deveria ter vendido.
E isso mexe diretamente com a confiança.
Se o cliente deixa de confiar na equipa ou na casa, pode não voltar.
A abertura de cada turno deve ser um processo
Um novo turno deveria começar com uma pequena rotina de verificação.
Não precisa de ser complicada.
O importante é garantir que as áreas críticas foram vistas antes de começar o serviço.
Dependendo do tipo de restaurante, pode incluir:
- produtos expostos;
- validade e estado de conservação;
- vitrines;
- equipamentos;
- temperaturas;
- stocks importantes para o serviço;
- ocorrências do turno anterior;
- produtos em falta ou quase a terminar.
Produtos expostos precisam de nova verificação
Um produto colocado numa vitrine durante a manhã pode estar perfeitamente bem nessa altura.
Horas depois, a situação pode ser diferente.
Principalmente quando se trata de produtos mais perecíveis.
Por isso, quem entra num segundo turno deve verificar aquilo que está exposto antes de assumir que continua tudo igual.
Não basta pensar:
«Estava aqui quando cheguei, portanto deve estar bem.»
Vitrines também fazem parte da passagem de turno
Pastelarias, cafés e outros conceitos com produtos expostos têm ainda outro desafio.
Além de confirmar a qualidade, pode ser necessário reorganizar ou repor a exposição.
Uma vitrine demasiado vazia pode transmitir uma imagem fraca.
Uma vitrine cheia de produtos que já não estão nas melhores condições é muito pior.
Quem abre o novo turno precisa de avaliar as duas coisas.
A passagem de turno também evita surpresas operacionais
Nem tudo está relacionado com alimentos.
Imagine que o turno da manhã sabe que um barril de cerveja está quase a terminar.
Essa informação pode ser muito útil para a equipa da tarde.
Não significa que seja preciso mudar o barril imediatamente.
Significa que a equipa pode preparar-se.
O mesmo se aplica a equipamentos, produtos, reservas, encomendas ou qualquer outra situação que possa afetar o serviço.
Mesmo com horários repartidos deve existir uma nova abertura
Há restaurantes onde não existem duas equipas diferentes.
A mesma equipa trabalha em horário repartido.
Mesmo assim, faz sentido encarar a entrada no segundo período como uma nova abertura.
Entre um momento e outro podem ter acontecido coisas.
Uma câmara pode ter registado uma quebra de temperatura.
Um produto pode precisar de ser revisto.
Uma vitrine pode precisar de reposição.
O facto de serem as mesmas pessoas não elimina a necessidade de voltar a verificar a operação.
A responsabilidade não pode ficar presa ao turno anterior
Uma cultura de «isso foi o outro turno» cria equipas que passam responsabilidades umas às outras.
É exatamente o contrário daquilo que se pretende.
Quem recebe o turno deve receber também a informação necessária para assumir o controlo.
E, a partir desse momento, é responsável por aquilo que acontece.
O que deve constar numa passagem de turno?
O detalhe depende de cada casa, mas um registo simples pode incluir:
- Ocorrências importantes.
O que aconteceu no turno anterior e ainda pode ter impacto. - Produtos em falta ou quase a terminar.
Para evitar surpresas durante o serviço. - Estado de produtos expostos.
Qualidade, frescura, validade e apresentação. - Equipamentos.
Avarias, comportamentos estranhos ou situações a acompanhar. - Temperaturas.
Quando aplicável, confirmar se equipamentos de frio continuam dentro do esperado. - Tarefas pendentes.
O que ficou por concluir e precisa de continuidade. - Informação relevante sobre clientes ou reservas.
Situações que a nova equipa precisa de conhecer.
Uma checklist pode tornar a passagem de turno muito mais simples
Quando a informação depende apenas da memória, alguma coisa acaba por ficar esquecida.
Uma checklist simples ajuda a garantir consistência.
Não precisa de ser um documento enorme.
Pode ter apenas os pontos que realmente importam para aquela operação.
O importante é transformar a passagem de turno num hábito e não numa conversa ocasional quando alguém se lembra.
O objetivo é proteger o cliente e a imagem do restaurante
Uma boa passagem de turno melhora a organização.
Mas o impacto mais importante aparece no cliente.
Quem trabalha na sala não está apenas a transportar produtos.
Está a vender e a representar a casa.
Por isso, deve ter confiança absoluta de que aquilo que apresenta ao cliente está em condições.
Se a equipa não tem essa segurança, também não consegue transmitir confiança.
Perguntas frequentes sobre passagem de turno em restaurantes
O que é uma passagem de turno num restaurante?
É o processo através do qual a equipa que termina transmite informação relevante à equipa que entra, garantindo continuidade na operação.
O que deve ser comunicado entre turnos?
Ocorrências, tarefas pendentes, produtos em falta, estado de equipamentos, produtos expostos e qualquer informação que possa afetar o novo serviço.
É preciso fazer passagem de turno quando a equipa é a mesma?
Sim. Em horários repartidos, o início do segundo período pode ser tratado como uma nova abertura, com verificação das áreas importantes.
Quem é responsável pelos produtos deixados pelo turno anterior?
A partir do momento em que a nova equipa assume o turno, deve verificar aquilo que vai vender e garantir que está em condições.
Vale a pena usar uma checklist de passagem de turno?
Sim. Uma checklist simples reduz esquecimentos e ajuda a criar uma rotina consistente entre equipas.
Um turno não deve entregar desafios. Deve entregar informação.
A passagem de turno serve precisamente para evitar que cada equipa tenha de descobrir sozinha aquilo que aconteceu antes.
Quem sai deve informar.
Quem entra deve verificar.
E, a partir daí, assumir responsabilidade.
Porque para o cliente não existe turno da manhã ou turno da tarde.
Existe apenas o restaurante.
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