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Como Aumentar o Lucro de um Restaurante (Sem Precisar de Mais Clientes)

Aumentar o lucro de um restaurante não passa apenas por atrair mais clientes. Descubra como ajustes na operação, no menu e na gestão podem transformar os resultados.

Hélder Santos30 de março de 20263 min de leitura
Como Aumentar o Lucro de um Restaurante | O Gerente
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Como Aumentar o Lucro de um Restaurante (Sem Precisar de Mais Clientes)

Há uma ideia muito comum entre donos de restaurante que acaba por ser uma armadilha: "se tiver mais clientes, ganho mais dinheiro". Na prática, nem sempre é assim. Existem restaurantes que estão cheios todas as noites e continuam sem lucro no final do mês. E existem restaurantes com menos movimento que conseguem resultados muito melhores. A diferença não está no número de clientes, está na forma como o negócio é gerido.

Se o seu restaurante está a faturar razoavelmente mas o dinheiro nunca chega ao fim do mês, o problema quase de certeza está dentro de portas. E isso é, na verdade, uma boa notícia, porque significa que pode resolver sem depender de campanhas de marketing, sem gastar mais em publicidade, e sem esperar que apareçam mais clientes pela porta.

Como aumentar o lucro de um restaurante?

A resposta direta é esta: controlando melhor o que já entra e o que sai. O lucro de um restaurante é a diferença entre o que fatura e o que gasta. Se essa diferença é pequena ou negativa, há duas hipóteses, ou fatura pouco, ou gasta demasiado. Na maioria dos casos que acompanho, o problema está nos gastos, não na faturação.

Um restaurante que fatura 25.000 euros por mês com custos de 24.000 euros tem um lucro de 1.000 euros. Se conseguir reduzir os custos em 10%, passa a ter 3.400 euros de lucro, sem mudar nada nas vendas. Esse é o impacto real de trabalhar a eficiência interna.

Vamos então ao que funciona na prática.

1. Controlar o food cost de forma rigorosa

O food cost é a percentagem das suas vendas que vai para pagar os ingredientes. Um restaurante saudável deve ter o food cost entre 28% e 35%, dependendo do conceito. Se estiver acima disso, está a perder dinheiro em cada prato que sai da cozinha.

O problema é que a maioria dos restaurantes não sabe ao certo qual é o seu food cost real. Sabem quanto gastam em fornecedores, mas não fazem a ligação entre o que compram, o que utilizam e o que vendem. Resultado: desperdício invisível, porções inconsistentes e margens que variam sem explicação aparente.

Para controlar o food cost, precisa de fichas técnicas para cada prato, com o custo exato de cada ingrediente e a margem real. Precisa também de fazer inventários regulares, pelo menos semanais, para perceber se há desvios entre o que devia ter gasto e o que gastou de facto. Se comprou 20kg de carne numa semana e deveria ter usado 15kg com base nas vendas, onde foram os outros 5kg? Desperdício na cozinha? Porções maiores do que o definido? Alguém a levar para casa?

Saiba mais sobre o food cost no restaurante e como controlá-lo de forma sistemática.

2. Analisar e ajustar o menu com critério

Nem todos os pratos do seu menu são iguais. Há pratos que vendem muito mas têm margem baixa, há pratos que vendem pouco mas têm margem alta, e há pratos que não vendem e ainda complicam a operação da cozinha. Ter um menu extenso parece uma vantagem para o cliente, mas na prática é um problema para o restaurante.

Existe uma metodologia chamada engenharia de menu que classifica os pratos em quatro categorias, consoante a sua popularidade e rentabilidade. Os "estrelas" são os pratos mais vendidos e mais rentáveis, e esses devem ser destacados no menu. Os "burros de carga" vendem bem mas têm margem baixa, e o objetivo é tentar aumentar a margem, seja ajustando o preço, seja reduzindo o custo do ingrediente. Os "enigmas" têm boa margem mas vendem pouco, e aqui o trabalho é melhorar a visibilidade no menu ou treinar a equipa para os sugerir. Os "cães" vendem pouco e têm margem baixa, e a decisão mais inteligente é eliminá-los.

Um exemplo concreto: imagine que tem um risotto no menu a 12 euros, com um custo de ingredientes de 4,80 euros, ou seja, 40% de food cost. E tem uma massa a 10 euros com custo de 2,50 euros, 25% de food cost. A massa é claramente mais rentável. Sabe qual dos dois o seu menu destaca visualmente? Sabe qual a sua equipa sugere mais? Se não sabe, está provavelmente a deixar dinheiro na mesa todas as noites.

Além disso, pequenos ajustes de preço bem feitos passam despercebidos aos clientes mas têm impacto imediato na margem. Subir um prato de 10 para 10,50 euros pode parecer insignificante, mas se esse prato sair 40 vezes por dia, são mais 20 euros por dia, 600 euros por mês, 7.200 euros por ano. Com o mesmo número de clientes.

3. Melhorar a eficiência da equipa e dos processos

Uma equipa desorganizada custa dinheiro de várias formas que nem sempre são óbvias. Erros de pedidos que obrigam a refazer pratos. Tempos de mesa mais longos que reduzem a rotação. Desperdício na preparação por falta de formação. Horas extras desnecessárias por mau planeamento dos turnos.

O primeiro passo é perceber quantas horas de trabalho está a pagar por cada euro que fatura. Se fatura 25.000 euros por mês e tem uma folha salarial de 10.000 euros, o custo de mão de obra está em 40%, o que é alto. O ideal para a maioria dos restaurantes está entre 28% e 35%.

Uma forma concreta de melhorar este rácio sem despedir ninguém é otimizar os horários. Analise os seus períodos de maior movimento hora a hora e ajuste a equipa para esses picos. É comum encontrar restaurantes que têm quatro pessoas em sala às 15h de terça-feira, quando há apenas duas mesas ocupadas, e a mesma equipa às 20h de sexta-feira quando o restaurante está a rebentar. Este desequilíbrio paga-se caro.

Outra área com impacto direto é a formação em vendas. Um empregado de mesa bem treinado consegue aumentar o ticket médio de forma natural, sugerindo entradas, sobremesas, bebidas, ou pratos de margem mais alta. Se o ticket médio passar de 18 para 21 euros, com o mesmo número de clientes e a mesma equipa, o resultado no final do mês é completamente diferente.

Veja como organizar melhor a sua equipa neste artigo: como organizar a equipa de um restaurante.

4. Reduzir o desperdício com sistema, não com boa vontade

O desperdício num restaurante não se resolve a dizer à equipa "vamos desperdiçar menos". Resolve-se com processos e com medição. Se não medir, não consegue melhorar.

Comece por registar o desperdício diariamente durante duas semanas. O que vai para o lixo e porquê: produto que estragou por excesso de compra, erro de produção, sobras de pratos devolvidos, preparação mal feita. Ao fim de duas semanas terá uma imagem muito clara de onde está a perder dinheiro e pode agir com precisão.

Uma medida simples com grande impacto é ajustar as quantidades de compra com base nas vendas reais. Muitos restaurantes compram por hábito, as mesmas quantidades todas as semanas, independentemente do movimento esperado. Se na semana que vem tem uma segunda-feira com feriado, o movimento pode ser completamente diferente do habitual. Comprar com base nos dados das semanas equivalentes do ano anterior é muito mais eficiente do que comprar por intuição.

Outra área de desperdício frequente é a produção em excesso. Produzir mais do que o necessário por medo de ficar sem produto é um erro caro. Ao fim do dia, o que sobrou ou vai para o lixo ou perde qualidade. A solução está em ter um sistema de previsão de vendas, ainda que simples, e produzir de forma mais ajustada.

5. Rever os custos fixos e os contratos com fornecedores

Há uma categoria de gastos que muitos donos de restaurante ignoram durante meses ou anos: os custos fixos. Rendas, seguros, contratos de manutenção, subscrições de software, serviços que foram contratados e nunca mais foram revistos.

Vale a pena sentar uma vez por ano com todos os contratos em mãos e perceber o que ainda faz sentido. Há restaurantes que pagam sistemas de música ambiente que ninguém usa, seguros duplicados, ou planos de telecomunicações desatualizados. São valores pequenos individualmente, mas em conjunto podem representar 200 a 500 euros por mês de gastos evitáveis.

Nos fornecedores, a negociação é uma ferramenta poderosa que poucos utilizam com regularidade. Se trabalha com o mesmo fornecedor há dois anos e nunca pediu condições melhores, está provavelmente a pagar mais do que devia. O volume que um fornecedor tem garantido num cliente fiel vale uma conversa. Pode não conseguir uma redução de preço, mas pode conseguir melhores condições de pagamento, entregas mais frequentes sem custo extra, ou produtos complementares a melhor preço.

6. Aumentar o ticket médio sem pressionar o cliente

Aumentar o ticket médio é uma das formas mais diretas de aumentar o lucro sem precisar de mais clientes. E não requer que os empregados sejam insistentes ou que os clientes sintam que estão a ser empurrados para gastar mais.

A sugestão de um aperitivo no início da refeição, feita de forma natural e informada, converte bem. "Hoje temos um chouriço assado acabado de fazer, quer experimentar enquanto escolhe?" é muito diferente de "quer alguma entrada?". A segunda pergunta convida ao não, a primeira cria interesse.

O mesmo se aplica às sobremesas, ao café, ou a uma segunda garrafa de vinho. O momento e a forma como se faz a sugestão fazem toda a diferença. Um empregado que sabe exatamente o que está a recomendar e porquê transmite confiança. E confiança converte.

Se está a atrair clientes mas o dinheiro não aparece, descubra como resolver neste artigo: como atrair clientes para o restaurante. E se reconhece o cenário de ter o restaurante cheio sem resultados financeiros, este artigo vai ajudá-lo a perceber o que se passa: restaurante cheio mas sem lucro.

O lucro está nos detalhes que ninguém quer ver

A maioria das melhorias que descrevemos aqui não exige investimento. Exige atenção, disciplina e disposição para olhar para os números sem desculpas. O food cost fora de controlo, o menu cheio de pratos que não rendem, a equipa sem formação em vendas, o desperdício que ninguém regista, os contratos que ninguém revê. Cada um destes pontos, trabalhado isoladamente, já tem impacto. Trabalhados em conjunto, a diferença no final do mês pode ser substancial.

O controlo de custos é essencial. Comece por aqui: food cost no restaurante.

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