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Food Cost no Restaurante: Como Controlar Custos e Aumentar o Lucro

O food cost é um dos indicadores mais importantes na gestão de um restaurante. Saiba como calcular, qual o valor ideal e como baixar os custos para aumentar a margem.

Hélder Santos30 de março de 20263 min de leitura
Food Cost no Restaurante: Como Calcular e Reduzir | O Gerente
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Food Cost no Restaurante: Como Controlar Custos e Aumentar o Lucro

O food cost é um dos indicadores mais importantes na gestão de um restaurante. Se não for controlado, pode destruir completamente a rentabilidade do negócio, mesmo com boas vendas. E este é precisamente o cenário que mais se repete: restaurantes com filas à porta, sala cheia ao almoço e ao jantar, e no final do mês o dono a perguntar-se para onde foi o dinheiro.

A resposta, na maior parte dos casos, está na cozinha. Mais concretamente, no que entra pela porta de serviço e no que sai em cada prato para a mesa.

O que é o food cost e porque é que o número importa mesmo

O food cost representa a percentagem do custo das matérias-primas em relação ao preço de venda de um prato. É a percentagem que indica quanto está a gastar para produzir aquilo que vende.

Vamos a um exemplo concreto. Tem um prato de bacalhau à brás no menu a 16€. Se os ingredientes desse prato custam 5,60€ em matéria-prima, o food cost é de 35%. Se custam 6,40€, já está nos 40%. Parece pouca diferença, mas num restaurante que serve 60 doses desse prato por semana, essa diferença de 0,80€ por prato representa 2.496€ por ano a menos no seu bolso, sem que nada tenha mudado visivelmente na operação.

A fórmula é simples:

Food Cost (%) = (Custo dos Ingredientes / Preço de Venda) x 100

O que não é simples é aplicar esta fórmula com rigor a todos os pratos do menu, atualizar os valores quando os preços dos fornecedores sobem, e garantir que o que está no papel corresponde ao que sai da cozinha. É aqui que a maioria dos restaurantes falha.

Qual é o food cost ideal para um restaurante

Depende do conceito, mas na maioria dos restaurantes deve estar entre 25% e 35%. Um restaurante de fine dining com margens altas pode trabalhar com food cost de 30 a 35% porque compensa noutros indicadores. Uma cervejaria ou um restaurante casual que compete muito por preço precisa de estar abaixo dos 30% para ter sustentabilidade.

Valores acima de 38 a 40% são sinal claro de problemas. Podem ser problemas de preçário (preços de venda demasiado baixos), problemas de desperdício, problemas de porcionamento ou simplesmente falta de fichas técnicas. Muitas vezes são os quatro ao mesmo tempo.

Um número que ajuda a perceber melhor a situação real é o food cost global do mês, não prato a prato. Calcula-se assim: soma as compras do mês, ajusta com as diferenças de stock (o que tinha no início mais o que comprou menos o que ficou no final), e divide pelo total das vendas. Se esse número for consistentemente acima de 35%, há trabalho a fazer.

Porque é que um restaurante cheio pode não ter lucro

Este é o paradoxo que mais confunde os donos de restaurante. A sala está cheia, as vendas estão a crescer, os clientes voltam, e no final do mês não sobra nada. Às vezes até falta.

Acontece porque as vendas escondem ineficiências. Quando o volume aumenta, os erros de gestão também aumentam na mesma proporção. Se o food cost está descontrolado a 38% com 30 clientes por dia, com 80 clientes por dia o problema é mais do dobro em valor absoluto.

Se o seu restaurante está cheio mas o lucro não aparece, veja este artigo sobre restaurante cheio mas sem lucro.

Os erros que mais custam dinheiro na prática

Não ter fichas técnicas ou tê-las desatualizadas

A ficha técnica é o documento que define exatamente quais os ingredientes de um prato, em que quantidades, e qual o custo unitário de cada um. Sem ficha técnica, cada cozinheiro faz o prato à sua maneira. Numa semana colocam 180 gramas de proteína, na semana seguinte 220 gramas. A diferença pode parecer irrelevante, mas em 50 doses por semana de um prato com carne a 18€ o quilo, essa diferença de 40 gramas representa 36€ por semana, ou seja, quase 1.900€ por ano, num único prato.

As fichas técnicas também ficam desatualizadas rapidamente. O azeite subiu 40% nos últimos dois anos. O frango subiu. Os lacticínios subiram. Se a ficha técnica tem os preços do ano passado, o food cost que pensa ter não é o food cost real que está a pagar.

Desperdício não medido na cozinha

O desperdício tem várias formas e a maioria delas não aparece em lado nenhum registada. Há o desperdício de preparação (as aparas do peixe, as cascas dos legumes, os ossos), o desperdício por erros de confeção (o prato que saiu mal e foi deitado fora), o desperdício por validade (o produto que não foi usado a tempo), e o desperdício por controlo inadequado de porções.

Num restaurante sem processo de registo de desperdício, é normal que 8 a 12% das compras de matérias-primas simplesmente desapareçam sem gerar receita. Numa operação com 15.000€ de compras mensais, isso são 1.200 a 1.800€ por mês a ir literalmente para o lixo.

Falta de controlo de stock e de inventário rigoroso

Quando não há inventário regular, acumulam-se produtos em excesso que depois estragam, compram-se coisas que já existiam em armazém, e perde-se a noção do que realmente está a custar cada semana de operação. O inventário mensal, feito com rigor, é a única forma de calcular o food cost real e não apenas o teórico.

Não ajustar os preços quando os custos sobem

Muitos restaurantes mantêm os preços do menu durante anos com medo de perder clientes. O problema é que os fornecedores não têm o mesmo pudor. Um prato que tinha food cost de 28% há dois anos pode estar hoje nos 36% sem que ninguém tenha mexido em nada, apenas porque as matérias-primas subiram e o preço de venda ficou igual.

Como criar fichas técnicas que funcionam na prática

Uma ficha técnica útil não precisa de ser complicada. Precisa de ter três coisas: os ingredientes com as quantidades exatas em gramas, o custo atual de cada ingrediente por unidade de medida, e o custo total calculado automaticamente. Uma folha de cálculo simples resolve o problema.

O processo de implementação mais eficaz é começar pelos pratos mais vendidos, os que têm maior rotação. Pese tudo durante a preparação durante uma semana. Registe. Calcule. E a partir daí, essa é a receita padrão que todos na cozinha seguem.

O segundo passo é rever as fichas técnicas pelo menos de três em três meses, ou sempre que houver uma subida de preços significativa por parte de um fornecedor. Se o custo de um ingrediente principal subir mais de 10%, o preço de venda precisa de ser reavaliado.

Engenharia de menu: os pratos que deve promover e os que deve eliminar

Nem todos os pratos merecem o mesmo destaque na carta. A engenharia de menu é a análise que cruza dois indicadores: a popularidade de cada prato (quantas doses vende por semana) e a sua rentabilidade (qual a margem de contribuição em euros, não apenas o food cost em percentagem).

Um prato com food cost de 28% que vende 5 doses por semana pode ser menos interessante do que um prato com food cost de 34% que vende 40 doses. O que importa é a margem total gerada, não apenas a percentagem.

Com esta análise, consegue identificar quatro categorias: os pratos estrela (muito vendidos e com boa margem), os pratos puzzle (boa margem mas pouco vendidos, precisam de ser promovidos), os pratos cavalo de batalha (muito vendidos mas com margem fraca, onde deve renegociar custos ou ajustar preço) e os pratos peso morto (pouco vendidos e com margem fraca, candidatos a sair da carta).

Negociação com fornecedores e compras inteligentes

Trabalhar com dois ou três fornecedores para as mesmas categorias de produto dá-lhe poder de negociação. Quando o seu fornecedor de carnes sabe que tem alternativa, a conversa sobre preços é diferente.

Outra alavanca importante é o planeamento de compras em função das previsões de vendas. Comprar em excesso porque "pode vir a precisar" é uma das formas mais silenciosas de desperdiçar dinheiro. Um bom sistema de gestão de stock, mesmo que simples, ajuda a calibrar as quantidades certas para o ritmo de cada semana.

Controlar custos é apenas uma parte. Veja como aumentar o lucro global do restaurante: como aumentar o lucro de um restaurante.

A equipa como parte da solução, não do problema

O food cost não se controla sozinho num escritório com folhas de cálculo. Controla-se na cozinha, com as pessoas que preparam os pratos todos os dias. Isso significa que a equipa precisa de perceber o que são fichas técnicas, porque é que as porções têm de ser respeitadas, e o que significa desperdiçar produto em termos financeiros para o restaurante.

Quando um cozinheiro percebe que aqueles 40 gramas extra de carne que está a colocar no prato representam 1.900€ por ano de custo desnecessário, a conversa muda. Não é uma questão de punição, é uma questão de consciência e de cultura operacional.

E para garantir consistência operacional, veja como organizar a equipa: como organizar a equipa de um restaurante.

Por onde começar esta semana

Se ainda não tem o food cost calculado para os seus pratos principais, comece hoje pelos cinco pratos mais vendidos. Pese os ingredientes, registe os custos actuais, calcule a percentagem. Esse exercício simples, feito numa tarde, vai mostrar-lhe exactamente onde estão os problemas.

Depois, compare o food cost teórico (calculado pelas fichas técnicas) com o food cost real do último mês (calculado com as compras e as vendas reais). A diferença entre estes dois números diz-lhe quanto está a perder por ineficiências operacionais que ainda não conseguiu identificar.

O controlo do food cost não é um projeto de seis meses. É um processo contínuo que, quando implementado com rigor, pode aumentar a margem líquida de um restaurante em três a seis pontos percentuais sem aumentar uma única venda.

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