O contabilista não é o gestor do restaurante. O contabilista é essencial para a empresa, mas não deve ser o responsável pelo controlo diário da operação, da margem e da rentabilidade.
Se o gerente espera pelo relatório mensal para descobrir que os custos estão altos, já perdeu tempo, dinheiro e capacidade de reação.
O que significa dizer que o contabilista não é o gestor do restaurante?
Dizer que o contabilista não é o gestor do restaurante significa assumir que a gestão diária das compras, vendas, custos, desperdícios, stock, equipa e margem é responsabilidade do empresário.
O contabilista ajuda a analisar e validar números, mas não deve substituir o controlo operacional do restaurante.
Resposta direta: porque não deve depender apenas do contabilista?
Não deve depender apenas do contabilista porque a informação contabilística chega tarde para muitas decisões operacionais. Se os custos de mercadoria disparam no início do mês e só descobre isso no fim do mês, já deixou dinheiro em cima da mesa.
O contabilista é indispensável, mas não é o gestor
Um bom contabilista é fundamental para qualquer empresa.
O restaurante deve trabalhar com um contabilista de confiança e, sempre que necessário, com um bom advogado.
Mas há uma diferença entre apoio contabilístico e gestão do restaurante.
O contabilista pode ajudar em análise e enquadramento
- organização contabilística;
- leitura fiscal;
- validação de dados;
- obrigações legais;
- relatórios mensais;
- comparação de resultados.
O gerente deve assumir a gestão diária
- controlo de desperdícios;
- controlo de stocks;
- compras;
- vendas;
- food cost;
- custos com equipa;
- custos fixos;
- margem de lucro.
O erro de esperar pelo relatório mensal
Muitos empresários só olham para os números quando o contabilista envia o relatório no final do mês.
O problema é que, nessa altura, a perda já aconteceu.
Se o custo de matéria-prima ficou demasiado alto, a pergunta certa é: em que dia começou o problema?
Reagir passados 2 ou 3 dias é uma coisa. Reagir passados 20 ou 30 dias é outra completamente diferente.
Se quer perceber exatamente onde está a perder dinheiro no seu restaurante, veja como funciona o nosso sistema de controlo de margem em ogerente.pt/lucro-restaurante.
Gestão de restaurante exige um mapa financeiro simples
O gerente precisa de um mapa financeiro.
Não precisa de começar com um sistema complexo, cheio de dados que ninguém sabe interpretar.
Para muitos restaurantes, o melhor início é simples: poucas métricas, preenchidas todos os dias, com disciplina.
Menos é mais
Um mapa financeiro não deve ser uma coleção de informação inútil.
Deve funcionar como um diário do restaurante.
Todos os dias, o gerente deve conseguir perceber se a casa está saudável ou se existe algum sinal de alerta.
As 3 métricas mínimas que deve controlar
Para começar, o restaurante pode acompanhar três áreas fundamentais.
1. Compras
Registe diariamente as compras de comidas e bebidas.
Este controlo permite perceber o peso da mercadoria em relação às vendas.
2. Vendas
Registe a faturação diária.
Sem vendas atualizadas, não há leitura real do desempenho do restaurante.
3. Número de clientes
Registe quantos clientes foram servidos.
Este dado ajuda a interpretar ticket médio, comportamento da casa e evolução da operação.
Como usar compras e vendas para ter uma primeira leitura do food cost
Quando o restaurante ainda não tem um sistema avançado de stock, pode começar por cruzar compras com vendas.
Não é o cálculo perfeito do food cost, porque não considera inventários com rigor.
Mas, para quem não mede nada, já é um excelente ponto de partida.
Exemplo de leitura inicial
- registar compras de comida e bebida;
- registar vendas do mesmo período;
- comparar o peso percentual das compras sobre a faturação;
- acompanhar a evolução diária;
- identificar desvios rapidamente.
Este controlo só funciona bem se o circuito de compras estiver afinado.
Se o restaurante compra demasiado stock para ficar parado, a leitura fica distorcida.
Stock parado também é dinheiro parado
Comprar em excesso pode dar a ilusão de oportunidade.
Mas dinheiro parado em vinho, comida ou stock não é dinheiro disponível para o restaurante.
O objetivo da gestão não é encher armazéns sem critério.
O objetivo é comprar com disciplina, vender com margem e controlar o dinheiro que entra e sai.
Para aprofundar este tema, leia também Rentabilizar Buffet no Restaurante: Como Reduzir Desperdício e Aumentar Margem.
O mapa financeiro deve funcionar como cão de guarda
O mapa financeiro deve ser o cão de guarda do restaurante.
Ou seja, deve alertar o gerente quando algo começa a fugir do controlo.
Não serve apenas para registar números. Serve para chamar a atenção.
O cão de guarda avisa quando
- as compras sobem demasiado;
- as vendas descem;
- o custo de mercadoria aumenta;
- o peso da equipa fica elevado;
- os custos fixos pressionam a margem;
- a rentabilidade começa a desaparecer.
Food cost, equipa e custos fixos: a base da margem
Para ter clareza sobre a margem de lucro, o gerente deve conhecer o peso percentual de três blocos.
1. Custos de mercadoria
Incluem comida e bebida usadas para gerar vendas.
Com mais rigor, este cálculo deve considerar inventários, stock inicial, compras e stock final.
2. Custos com equipa
Incluem salários, prémios, segurança social, fardas, formação e outros custos associados à equipa.
3. Custos fixos
Incluem renda, internet, água, luz e outros encargos recorrentes da operação.
Quando estes três blocos estão controlados, o gerente começa a perceber melhor a margem real do restaurante.
Comece simples e melhore com o tempo
O erro de muitos empresários é querer começar pelo sistema perfeito.
Compram ferramentas complexas, acumulam informação e depois não sabem o que fazer com ela.
O melhor caminho é começar com poucas métricas e melhorar progressivamente.
Primeira fase
- compras diárias;
- vendas diárias;
- número de clientes;
- leitura aproximada de food cost.
Segunda fase
- inventários;
- stock inicial e final;
- custo real da mercadoria vendida;
- custos detalhados com equipa;
- custos fixos organizados por categoria.
O importante é criar disciplina antes de criar complexidade.
Não confunda auditoria com gestão
O contabilista pode funcionar como uma espécie de auditoria externa.
Pode confirmar se os números estão melhores, piores ou alinhados com meses anteriores.
Mas o restaurante não pode ficar à espera dessa auditoria para agir.
O gerente deve chegar à conversa com o contabilista já com leitura própria do negócio.
O objetivo é receber boas notícias do contabilista
O contabilista não deve ser apenas a pessoa que aparece para trazer más notícias.
O ideal é que o restaurante tenha controlo suficiente para chegar ao fim do mês com indicadores melhores.
A conversa que interessa ouvir é simples:
- estamos melhores do que no mês passado;
- estamos melhores do que no ano passado;
- as métricas estão a evoluir;
- a margem está mais protegida;
- a gestão está mais clara.
Este tema faz parte de um sistema maior: lucro, equipa e vendas
A gestão financeira não vive isolada.
Quando o restaurante não controla números, a equipa trabalha sem direção, as vendas podem enganar e o lucro desaparece.
Controlar métricas simples ajuda o gerente a tomar decisões sobre compras, preços, processos, equipa e operação.
Se também quer reforçar processos de venda e controlo interno, leia Talão no Restaurante: Como Controlar Vendas, Evitar Falhas e Proteger a Caixa.
Quando procurar apoio externo na gestão?
Se o restaurante vende, mas o dinheiro não aparece, o problema pode estar na falta de controlo.
Se o gerente não sabe o peso das compras, da equipa e dos custos fixos, está a gerir sem painel de instrumentos.
Nesse caso, pode fazer sentido procurar uma análise externa da operação.
Para uma visão mais ampla da gestão do restaurante, pode conhecer a nossa consultoria em ogerente.pt/consultoria-restaurantes.
Prova social: outros empresários também tiveram de assumir a gestão
Muitos empresários da restauração percebem que o problema não está apenas no contabilista, mas na falta de controlo interno diário.
Veja exemplos de empresários que já trabalharam gestão, margem e clareza financeira nos seus restaurantes em ogerente.pt/testemunhos.
Conclusão: o contabilista ajuda, mas o gerente decide
O contabilista é essencial, mas não é o gestor do restaurante.
O controlo diário pertence ao empresário.
Compras, vendas, clientes, food cost, equipa, custos fixos e margem precisam de acompanhamento frequente.
Quem mede cedo reage cedo. Quem espera pelo fim do mês descobre tarde.
O restaurante precisa de um cão de guarda financeiro. Simples, claro e preenchido todos os dias.
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