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Mapa Financeiro para Restaurantes: Como Controlar Custos e Lucro

Um mapa financeiro para restaurantes deve mostrar se a operação dá lucro, onde estão os custos e que decisões podem melhorar a rentabilidade. Saiba como organizar os números e distinguir lucro de fluxo de caixa.

O Gerente9 de outubro de 20269 min de leitura
Mapa Financeiro para Restaurantes: Custos e Lucro
lucro, O Gerente

Um mapa financeiro para restaurantes deve permitir perceber rapidamente se o negócio está a dar lucro, onde estão os principais custos e que decisões podem melhorar a rentabilidade. Não precisa de ser o Excel mais complexo do mundo. Precisa de ajudar o empresário a decidir.

O desafio é que muitos restaurantes têm folhas de cálculo carregadas de informação, mas continuam sem conseguir responder a uma pergunta simples: quanto dinheiro está realmente a ganhar o restaurante?

O que é um mapa financeiro de um restaurante?

Um mapa financeiro é uma ferramenta de controlo que organiza a faturação e os custos de um restaurante para ajudar a avaliar o resultado da operação.

Na prática, deve permitir responder a quatro perguntas:

  • O restaurante está a gerar lucro ou prejuízo?
  • Quais são os custos com maior peso na operação?
  • Onde existem oportunidades para melhorar a margem?
  • Que decisões devem ser tomadas a seguir?

Pode ser construído numa folha de Excel ou através de software de gestão. O importante não é a ferramenta. É a clareza da informação e a capacidade de a transformar em decisões.

Os três grandes grupos de custos de um restaurante

Uma forma simples de começar é dividir os custos do restaurante em três grandes grupos.

1. Custos fixos

São os custos ligados à estrutura do negócio, como a renda e outras despesas que não dependem diretamente do número de pratos vendidos.

Não significa que sejam impossíveis de melhorar. Significa que, muitas vezes, exigem decisões estruturais e não alterações imediatas à operação.

2. Custos com pessoal

Incluem os custos associados à equipa necessária para manter o restaurante a funcionar.

Devem ser analisados em conjunto com a dimensão da operação e a faturação. O objetivo não é simplesmente cortar pessoal, mas perceber se a estrutura está adequada ao negócio.

3. Custos com comidas e bebidas

Este grupo inclui os custos associados aos produtos utilizados na oferta do restaurante. É uma área onde podem existir oportunidades de melhoria através de compras, controlo de desperdício, inventários e análise da carta.

Estas três categorias permitem começar a perceber onde está o peso dos custos e qual a margem que resta depois de suportar a operação.

Para aprofundar a diferença entre compras e consumo, consulte o nosso artigo sobre como calcular corretamente o food cost de um restaurante.

Porque é que alguns mapas financeiros não ajudam a gerir?

Porque mostram demasiados números sem explicar o que deve ser feito com eles.

Um mapa financeiro pode ter gráficos, fórmulas e indicadores sofisticados. Mas, se o empresário precisa de percorrer várias folhas para descobrir se a operação está a gerar lucro, falta-lhe aquilo que mais importa: uma visão clara do negócio.

Um bom mapa financeiro não é aquele que apresenta mais informação. É aquele que torna as decisões mais claras.

O ideal é conseguir consultar, num mesmo painel, os custos fixos, os custos com pessoal, os custos com comidas e bebidas e o resultado da operação.

Quando deve registar os custos: ao receber a fatura ou ao pagar?

Esta é uma das dúvidas mais importantes na construção de um mapa financeiro.

Imagine que um fornecedor entrega mercadoria em outubro, mas permite pagar a 30, 60 ou 90 dias.

Se o restaurante apenas registar essa compra quando efetuar o pagamento, os números de outubro podem parecer melhores do que realmente são. Mais tarde, quando chegar a altura de pagar várias faturas, outro mês poderá parecer muito pior.

O restaurante acaba por confundir o calendário dos pagamentos com o desempenho da operação.

A regra prática defendida neste episódio é simples: a fatura chega, a fatura é registada.

Isto permite controlar as compras e os compromissos quando surgem, sem esperar pelo momento em que o dinheiro sai da conta bancária.

Há, contudo, uma distinção importante: registar uma compra não significa que toda a mercadoria tenha sido consumida nesse mês. Para calcular corretamente o custo dos produtos consumidos, também é necessário considerar os inventários. É por isso que compras, consumo e pagamentos devem ser tratados como informações diferentes.

Lucro e fluxo de caixa não são a mesma coisa

Um dos erros mais perigosos na gestão de restaurantes é confundir rentabilidade com dinheiro disponível no banco.

O mapa de resultados ajuda a perceber se a operação está a gerar lucro ou prejuízo.

O fluxo de caixa permite acompanhar entradas e saídas de dinheiro, pagamentos a fornecedores, compromissos e disponibilidade financeira.

Um restaurante pode apresentar um resultado operacional positivo e, ainda assim, atravessar dificuldades de tesouraria devido aos prazos dos pagamentos.

Também pode ter dinheiro disponível na conta e estar a operar com margens insuficientes.

Por isso, as duas análises são necessárias, mas devem permanecer claramente identificadas.

Como começar a organizar o mapa financeiro do restaurante

  1. Reúna a informação: faturação, faturas, custos com pessoal e despesas da operação.
  2. Separe os custos: organize-os em custos fixos, pessoal e comidas e bebidas.
  3. Registe as faturas: não espere pelo pagamento para tomar conhecimento dos compromissos.
  4. Distinga compras e consumo: utilize os inventários quando precisar de apurar o custo real das mercadorias consumidas.
  5. Analise o resultado: compare a faturação com os custos correspondentes ao período.
  6. Controle a tesouraria: acompanhe separadamente os pagamentos e o dinheiro disponível.
  7. Tome uma decisão: identifique uma área concreta onde seja possível melhorar a margem.

O objetivo não é preencher números por obrigação. É encontrar oportunidades e acompanhar o efeito das decisões tomadas.

O que fazer depois de identificar os custos?

Conhecer os números é apenas o primeiro passo.

Se os custos com comidas e bebidas estiverem a pressionar a margem, pode ser necessário analisar a carta, os desperdícios, as compras e a rentabilidade dos pratos.

Uma das ferramentas que ajuda a tomar essas decisões é a engenharia de menu, que relaciona popularidade e rentabilidade.

Se o desafio estiver na estrutura de pessoal ou nos custos fixos, a análise terá de seguir outro caminho.

O mapa financeiro deve mostrar onde investigar primeiro. Não deve substituir o diagnóstico nem levar a cortes automáticos sem compreender as consequências.

Este princípio também é importante quando existem vários decisores no negócio. A informação precisa de ser partilhada para que as decisões não dependam apenas da opinião de uma pessoa. Veja também o artigo sobre como os sócios de um restaurante podem decidir com números.

Perguntas frequentes sobre mapas financeiros para restaurantes

Como saber se um restaurante está a dar lucro?

É necessário analisar a faturação e os custos correspondentes ao período. O saldo bancário, por si só, não permite determinar a rentabilidade da operação.

É possível criar um mapa financeiro no Excel?

Sim. O Excel pode ser utilizado para organizar receitas, custos e resultados. O mais importante é construir um modelo simples, consistente e útil para tomar decisões.

Quando devo registar as faturas dos fornecedores?

As faturas devem ser registadas quando são recebidas, sem depender da data de pagamento. Para apurar corretamente o resultado do período, é também necessário distinguir compras de consumo e aplicar os critérios contabilísticos adequados.

Qual é a diferença entre mapa financeiro e fluxo de caixa?

O mapa de resultados analisa o desempenho económico da operação. O fluxo de caixa acompanha os movimentos de dinheiro e a capacidade de cumprir pagamentos.

Que custos devo acompanhar num restaurante?

Um ponto de partida é separar custos fixos, custos com pessoal e custos com comidas e bebidas. A análise pode depois ser aprofundada conforme as necessidades do negócio.

Um restaurante pode ter lucro e não ter dinheiro para pagar fornecedores?

Sim. A rentabilidade e a tesouraria são dimensões diferentes. Os prazos de recebimento e pagamento podem provocar dificuldades de caixa mesmo quando a operação apresenta um resultado positivo.

Veja o episódio do Prato do Dia

Neste episódio, Hélder Santos explica porque muitos mapas financeiros falham, como organizar os custos em três grupos e porque não se deve confundir o momento de registar uma compra com a data em que se paga ao fornecedor.

Ver este episódio no YouTube.

Conclusão: o mapa financeiro deve ajudar a decidir

Ter um mapa financeiro não significa ter controlo sobre o restaurante.

O controlo começa quando os números permitem perceber o que está a acontecer, identificar oportunidades e tomar decisões que melhorem a rentabilidade.

Comece por separar os três grandes grupos de custos. Registe as faturas, distinga compras de consumo e não confunda lucro com fluxo de caixa.

Depois, faça a pergunta mais importante: o que vou mudar na operação com base nesta informação?

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