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Engenharia de menu: para que serve e como funciona

Descubra como a engenharia de menu cruza popularidade e rentabilidade para ajudar a decidir que pratos promover, melhorar, substituir ou manter.

O Gerente19 de julho de 20269 min de leitura
Engenharia de menu: para que serve e como funciona
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A engenharia de menu é uma das ferramentas mais importantes na gestão de um restaurante. Permite analisar cada prato através da sua popularidade e rentabilidade, transformando dados de vendas e custos em decisões concretas.

Em vez de manter pratos no menu por hábito, gosto pessoal ou intuição, o restaurante passa a perceber quais geram margem, quais conquistam os clientes, quais precisam de promoção e quais estão apenas a ocupar espaço e a prender dinheiro.

Porque é que o menu não deve ficar parado?

Num restaurante, nada é completamente estático. O comportamento dos clientes muda, a procura varia ao longo do ano e um prato que funciona muito bem numa determinada altura pode perder força noutra.

O bacalhau com grão é um exemplo simples. Pode ter uma procura elevada no inverno e perder popularidade durante o verão, quando os clientes procuram opções diferentes. Isso não significa que o prato seja mau. Significa que o seu desempenho deve ser analisado dentro do contexto em que está a ser vendido.

Manter um prato que deixou de vender pode representar ingredientes parados, espaço ocupado, complexidade operacional e dinheiro imobilizado. A engenharia de menu oferece dados para evitar que estas decisões sejam tomadas por feeling.

Como funciona a engenharia de menu?

A engenharia de menu coloca os pratos da mesma família em comparação. Tendo em conta a popularidade e a rentabilidade, cada prato passa a ocupar uma posição dentro de um ranking.

Antes de começar, é necessário separar corretamente as famílias do menu. As entradas devem competir com outras entradas, os pratos principais com outros pratos principais e as sobremesas com outras sobremesas.

Não faria sentido comparar um bacalhau com grão com uma mousse de chocolate. São produtos com funções, preços e comportamentos de venda diferentes.

Os três dados necessários

Para analisar cada prato são utilizados três elementos:

  1. Preço de custo do prato;
  2. Preço de venda;
  3. Quantidade vendida.

A partir destes dados, a engenharia de menu permite perceber se cada prato é popular, rentável, ambas as coisas ou nenhuma delas.

Os quatro grupos da engenharia de menu

Depois da análise, os pratos ficam distribuídos por quatro grupos. Cada grupo exige uma decisão diferente.

Desempenho do pratoO que significaDecisão recomendada
Popular e rentávelÉ apreciado pelos clientes e gera uma boa margem.Proteger e usar como referência para desenvolver novos pratos.
Rentável, mas pouco popularGera uma boa margem, mas vende abaixo do seu potencial.Promover através do menu e das recomendações da equipa.
Popular, mas pouco rentávelVende bem, mas deixa pouca margem ao restaurante.Rever custos, preço e condições de compra.
Nem popular nem rentávelNão é procurado e também não contribui para o resultado.Considerar a sua retirada e substituição.

O que fazer com os pratos populares e rentáveis?

Os pratos que combinam elevada popularidade com boa rentabilidade são as estrelas do menu. São pratos que os clientes querem comprar e que também contribuem para a margem do restaurante.

Estes pratos devem ser protegidos. Também podem funcionar como referência para a criação de novas opções.

Se existirem duas ou três estrelas dentro da mesma família, vale a pena identificar os elementos que têm em comum. Essa leitura ajuda a perceber melhor os gostos dos clientes e a desenvolver pratos novos com maior probabilidade de aceitação.

Como vender mais os pratos rentáveis?

Um prato rentável com baixa popularidade não deve ser retirado automaticamente. Primeiro, é necessário perceber se está a receber a atenção certa.

O restaurante pode dar-lhe maior destaque no menu, sublinhá-lo ou utilizar um pequeno elemento visual que sugira uma recomendação. O destaque deve orientar a escolha sem transformar o menu numa confusão gráfica.

A equipa de sala tem um papel decisivo. Quando um cliente pede uma sugestão, é a equipa que influencia a escolha. Por isso, o staff precisa de saber exatamente quais são os pratos que o restaurante pretende vender mais.

Não basta identificar os pratos mais rentáveis. A equipa precisa de saber quais são e estar preparada para os recomendar.

Esta é a ligação direta entre Lucro → Equipa → Vendas: os números identificam a oportunidade, a equipa executa a recomendação e a venda transforma essa decisão em resultado.

O seu menu está a vender os pratos certos?

Quando a análise do menu revela desafios de custos, preços, compras, equipa e vendas, o problema pode ser mais abrangente do que um único prato.

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O que fazer com os pratos populares, mas pouco rentáveis?

Um prato muito vendido que deixa pouca margem exige uma intervenção diferente. Como os clientes já demonstram interesse, o objetivo não é aumentar a popularidade. É melhorar a rentabilidade.

Uma das possibilidades é negociar com o fornecedor a redução do custo de um ingrediente específico. A conversa torna-se mais objetiva quando o restaurante consegue demonstrar que aquele produto está a limitar a margem de um prato importante.

Não é necessário pedir desconto sobre tudo. O pedido pode ser feito sobre um artigo concreto e com uma razão clara. Se o fornecedor não conseguir ajudar, poderá compreender que o restaurante tenha de procurar outra solução para esse produto.

Também deve ser revisto o preço de venda. O objetivo é encontrar uma forma de proteger a margem sem destruir a procura que o prato já conquistou.

Quando deve retirar um prato do menu?

Os pratos que não são populares nem rentáveis devem ser seriamente questionados. Se não têm procura e não geram margem, estão a ocupar um lugar que poderia ser utilizado por uma opção melhor.

A decisão pode passar pela retirada e substituição do prato. O novo produto entra no menu, começa a gerar dados e volta a competir com os restantes pratos da sua família.

Este processo torna a engenharia de menu dinâmica. Todos os meses, o restaurante pode afinar o menu, testar novas opções e melhorar progressivamente o equilíbrio entre aquilo que os clientes querem e aquilo que o negócio precisa de vender.

É possível ter apenas estrelas no menu?

Teoricamente, seria fantástico ter apenas pratos populares e rentáveis. Na prática, a comparação é relativa.

Mesmo que todos os pratos apresentem um bom desempenho, haverá sempre alguns mais populares ou rentáveis do que outros. Isso cria novamente diferenças dentro do ranking.

O objetivo não é construir um menu perfeito e deixá-lo parado. É utilizar os dados para melhorar continuamente cada família de pratos.

Com que frequência deve fazer a análise?

A recomendação apresentada no episódio é consultar a engenharia de menu mensalmente. Esta frequência permite acompanhar alterações no comportamento dos clientes e tomar decisões antes de um prato fraco permanecer demasiado tempo no menu.

Num restaurante de cinco estrelas onde Hélder Santos teve oportunidade de cozinhar, o chefe desafiava mensalmente cada elemento da equipa de cozinha a apresentar um prato novo. Entre dez ou doze propostas, escolhia dois ou três pratos para entrarem no menu do mês seguinte.

Esta prática mostra que a renovação não deve nascer do acaso. Os pratos novos entram, são testados e passam a produzir dados que permitem avaliar o seu verdadeiro desempenho.

Como começar a aplicar a engenharia de menu?

  1. Separar o menu por famílias, como entradas, pratos principais e sobremesas.
  2. Registar o preço de custo de cada prato.
  3. Registar o respetivo preço de venda.
  4. Apurar a quantidade vendida de cada prato.
  5. Comparar popularidade e rentabilidade dentro de cada família.
  6. Definir que pratos devem ser promovidos, melhorados, substituídos ou protegidos.
  7. Repetir a análise mensalmente.

Existem mapas em Excel que permitem começar a organizar esta informação. O mais importante é que a ferramenta seja simples de preencher e termine com orientações claras sobre aquilo que deve ser feito com cada prato.

Perguntas frequentes sobre engenharia de menu

O que é a engenharia de menu?

É uma ferramenta de gestão que analisa os pratos através da popularidade e da rentabilidade. O objetivo é transformar dados de custos e vendas em decisões sobre o menu.

Que dados são necessários para fazer uma engenharia de menu?

São necessários o preço de custo, o preço de venda e a quantidade vendida de cada prato. A comparação deve ser feita entre pratos da mesma família.

Posso comparar entradas com pratos principais?

Não. As famílias devem ser analisadas separadamente. Entradas competem com entradas, pratos principais com pratos principais e sobremesas com sobremesas.

Devo retirar imediatamente um prato pouco popular?

Não necessariamente. Se o prato for rentável, pode existir uma oportunidade de aumentar as vendas através do destaque no menu e da recomendação da equipa.

O que devo fazer com um prato muito vendido, mas pouco rentável?

Deve rever o preço, o custo dos ingredientes e as condições negociadas com os fornecedores. O prato já tem procura; o desafio é melhorar a margem.

Com que frequência devo atualizar a engenharia de menu?

A análise deve ser consultada mensalmente para acompanhar mudanças na procura e evitar que decisões antigas permaneçam no menu sem justificação.

A equipa de sala deve conhecer os resultados?

Sim. A equipa precisa de saber quais são os pratos que deve recomendar, sobretudo quando existem opções rentáveis com baixa popularidade.

Um prato sazonal deve ser retirado definitivamente?

Não. Um prato pode funcionar numa época e perder procura noutra. A decisão deve considerar o desempenho observado em cada momento do ano.

A engenharia de menu transforma dados em decisões

A engenharia de menu não serve apenas para classificar pratos. Serve para orientar compras, negociar com fornecedores, organizar a equipa, melhorar as recomendações de venda e renovar o menu com maior segurança.

Sem esta análise, o restaurante corre o risco de promover pratos que deixam pouca margem, manter produtos que ninguém procura e retirar opções que apenas precisavam de maior visibilidade.

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