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Obras no restaurante: como avaliar o investimento

Antes de remodelar ou ampliar o restaurante, perceba como vai recuperar o investimento. Distinga intervenções necessárias de melhorias e ajuste as obras à capacidade do negócio.

O Gerente16 de outubro de 20267 min de leitura
Obras no restaurante: como avaliar o investimento
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Fazer obras no restaurante exige mais do que escolher materiais, pedir orçamentos e imaginar uma sala mais bonita. Exige perceber porque é necessária a intervenção e como o negócio vai suportar e recuperar o investimento.

Uma reparação essencial para preservar a segurança alimentar não tem o mesmo ponto de partida de uma mudança de decoração. E ampliar uma sala porque já falta espaço para receber clientes é diferente de aumentar a capacidade na esperança de que eles apareçam.

Neste episódio do Prato do Dia, Hélder Santos propõe um exercício: antes de avançar, coloque o investimento ao lado dos números do restaurante e pergunte como é que o dinheiro vai voltar.

O que deve avaliar antes de fazer obras no restaurante?

Comece pela necessidade da intervenção. Depois, avalie o investimento previsto, a capacidade financeira do negócio e a forma de recuperar esse valor. Nas melhorias de oferta ou capacidade, procure fundamentos para o resultado esperado. Quando a intervenção é necessária para preservar a segurança alimentar, a prioridade é resolver essa necessidade e organizar os recursos para a executar.

Primeiro: que tipo de obra está em cima da mesa?

No episódio, distinguimos dois cenários que devem ser analisados de forma diferente.

Intervenções necessárias para manter condições de funcionamento

Uma reparação na cozinha ou num equipamento que comprometa a segurança alimentar exige uma resposta. Não faz sentido tratar a proteção dos clientes como uma melhoria decorativa que pode ficar indefinidamente à espera.

A pergunta passa por perceber como executar a intervenção e como ajustar a gestão para a suportar.

Obras para melhorar o espaço e a oferta

Pintar, mudar a iluminação, renovar a decoração ou ampliar a sala podem fazer sentido. O cuidado está em não transformar o entusiasmo pela mudança numa certeza sobre os resultados.

Um restaurante mais bonito pode melhorar a experiência. Isso não permite concluir, por si só, que passará a ter mais clientes ou mais lucro.

Se ainda não está claro o que está a limitar o negócio, a nossa consultoria para restaurantes ajuda a analisar a operação antes de decidir onde investir.

Ter dinheiro para pagar não resolve a pergunta sobre o retorno

As obras podem ser pagas com dinheiro do empresário ou com recursos gerados pelo próprio restaurante. Em ambos os casos, o investimento merece ser avaliado.

Dizer que o dinheiro já estava na empresa não explica o que se espera conseguir com ele.

É aqui que surge a ideia apresentada no episódio: pensar como um banco. Se o restaurante vai utilizar aquele valor, deve existir um plano para perceber como o consegue recuperar.

Trata-se de um exercício de disciplina de gestão. Não significa criar uma dívida fictícia do restaurante a si próprio. Significa atribuir um objetivo e acompanhar a recuperação dos recursos utilizados.

Leve as obras ao planeamento financeiro

Antes de assumir o investimento, consulte os registos da faturação, dos custos e dos resultados do negócio.

O objetivo é perceber a capacidade que o restaurante já demonstra ter, sem depender apenas da expectativa de que tudo correrá melhor depois das obras.

Para organizar essa informação, consulte o artigo sobre mapa financeiro para restaurantes e controlo de custos.

Quatro perguntas para começar

  1. Quanto pretende investir? Identifique o valor da intervenção que está a avaliar.
  2. Como será pago? Perceba o calendário de pagamentos acordado para as obras.
  3. Que capacidade tem o restaurante para recuperar esse valor? Trabalhe com os números da casa, em vez de escolher um montante apenas porque gostaria de o receber.
  4. Como vai acompanhar a recuperação? Defina um plano que permita comparar o previsto com o que realmente acontece.

No episódio são referidos diferentes montantes possíveis de investimento e de recuperação mensal. São exemplos para explicar o raciocínio, não valores recomendados para qualquer restaurante.

O plano também não tem de pressupor a mesma capacidade todos os meses. Deve refletir o comportamento real do negócio.

Ampliar a sala: a necessidade já se manifestou?

Uma das situações discutidas é a do empresário que quer aumentar o número de lugares.

Se a procura já existe e a capacidade atual está a limitar o negócio, há uma base concreta para estudar a ampliação. Ainda assim, é necessário perceber como os lugares adicionais poderão contribuir para recuperar o investimento.

O raciocínio torna-se mais frágil quando a situação é outra: poucos clientes, margem reduzida e a esperança de que uma sala nova resolva tudo.

Nesse caso, a obra pode estar a ser escolhida antes de se perceber a causa do desempenho do restaurante.

A pergunta a fazer é simples: estamos a responder a uma necessidade que já conhecemos ou a apostar que a procura vai aparecer depois?

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Fazer obras por fases pode ser uma opção

Hélder refere no episódio situações em que as intervenções foram realizadas progressivamente, permitindo que o restaurante fosse suportando o investimento ao longo do tempo.

Essa possibilidade merece ser avaliada quando se ajusta ao tipo de obra e à realidade da casa.

O propósito é acompanhar a resposta do negócio e evitar assumir, de uma só vez, um investimento desproporcional à sua capacidade.

Não significa que todas as obras possam ser divididas. Significa que executar tudo de uma vez não deve ser uma decisão automática.

Integrar a intervenção no planeamento anual do restaurante ajuda a relacioná-la com as restantes prioridades, em vez de a tratar como uma decisão isolada.

Resultados acima do previsto devem ser uma vantagem, não a única saída

As obras podem melhorar a oferta e trazer resultados superiores aos que estavam previstos. No episódio, esse ganho adicional é apresentado como um bónus.

A prudência está em não construir todo o plano sobre esse cenário favorável.

Se o investimento só parece suportável quando se imagina uma transformação imediata do movimento e do lucro, vale a pena voltar aos números.

O objetivo não é retirar ambição ao empresário. É ajustar o investimento à capacidade do negócio e perceber quais as expectativas que sustentam a decisão.

Lucro, Equipa e Vendas também entram nesta decisão

No método de O GERENTE, seguimos a ordem Lucro → Equipa → Vendas. A decisão de fazer obras deve ser enquadrada nessa visão do restaurante.

  • Lucro: perceber a margem e a capacidade para suportar e recuperar o investimento.
  • Equipa: considerar a estrutura que tem de executar a oferta e manter o negócio a funcionar.
  • Vendas: distinguir procura já identificada de uma expectativa de crescimento ainda por demonstrar.

As obras podem fazer parte da evolução do restaurante. A decisão ganha força quando assenta numa operação conhecida e em prioridades claras.

Perguntas frequentes sobre obras no restaurante

Devo fazer obras para atrair mais clientes?

Uma remodelação pode melhorar a oferta, mas não deve ser escolhida apenas na esperança de resolver a falta de clientes. Primeiro, importa perceber o que está a limitar a procura e o resultado do negócio.

Se o restaurante já tem dinheiro, preciso de avaliar o investimento?

Sim. A origem do dinheiro não elimina a necessidade de perceber o objetivo das obras, a capacidade financeira e a forma de recuperar o valor utilizado.

Como posso planear a recuperação do investimento?

Comece pelos números atuais do restaurante e defina um plano compatível com a sua capacidade. O exercício proposto no episódio é acompanhar como o negócio consegue recuperar os recursos aplicados nas obras.

O restaurante tem de recuperar o mesmo valor todos os meses?

Não necessariamente. O plano deve ajustar-se à realidade da casa e à capacidade que apresenta em cada período, em vez de impor um valor mensal sem fundamento.

Quando faz sentido ampliar a sala?

Quando a necessidade de mais capacidade já se manifestou e existe uma análise que sustenta o investimento. Aumentar lugares na esperança de criar procura é uma decisão diferente e exige maior cuidado.

É melhor fazer as obras todas de uma vez?

Depende da intervenção. O episódio apresenta a execução por fases como uma possibilidade para ajustar o investimento à resposta financeira do restaurante, quando isso é viável.

Veja o episódio do Prato do Dia

No vídeo, Hélder Santos explica como colocar as obras na balança, distinguir necessidades e construir um plano ajustado à capacidade do restaurante.

Veja o episódio completo sobre obras no restaurante.

Antes de escolher os acabamentos, esclareça a decisão

Que obra precisa de fazer? Porque é necessária? Como será paga? E como espera recuperar o investimento?

Responder a estas perguntas permite avançar com mais clareza, seja para resolver uma necessidade essencial, renovar o espaço ou aumentar a capacidade.

Nós, Hélder Santos e Sérgio Araújo, acompanhamos empresários da restauração na análise dos seus negócios e na implementação de decisões ajustadas à sua realidade. Conheça algumas dessas experiências nos testemunhos de clientes de O GERENTE.

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